Dr. Bruno fala sobre: Complexo Respiratório Felino (CRF) – o que é e quais os sintomas

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Atualmente, os gatos são bastante populares e criados como animais de companhia. No Brasil estima-se que a população de gatos domiciliados seja em torno de 20 milhões. O aumento da população de gatos propiciou a disseminação de vários agentes etiológicos, e ocasionou um acréscimo ao número de atendimentos clínicos, devido principalmente às enfermidades infecciosas, tal como complexo respiratório felino.

As manifestações do Complexo Respiratório Felino (CRF) são extremamente comuns e têm alta prevalência em animais que vivem, ou que já viveram em colônias. O CRF é causado por 3 agentes principais, são eles: o Herpesvirus felino, o Calicivirus felino e a Chlamydophila.

A transmissão pode acontecer por meio de secreção ocular nasal e oral, além de contato direto e fômites (comedouros, bebedouros, brinquedos). Ou seja, é muito fácil contrair a doença!

Os animais afetados pelo Herpesvirus felino podem desenvolver a rinotraqueíte. Essa doença gera sintomas respiratórios (rinite, sinusite, traqueíte, secreção nasal); oftálmicos (conjuntivite, secreção ocular, úlceras de córnea), além de sinais gerais como febre, apatia, anorexia. Mesmo recuperados da doença, os animais permanecem com infecções latentes, ou seja, o vírus fica alojado e o animal não apresenta sintomas. Apenas quando há algum fator de stress o vírus é reativado, provocando a doença novamente. O tratamento é sintomático e pode incluir antibióticos, mucolíticos, antivirais, antitérmicos e colírios. A maioria dos animais se recupera bem e em pouco tempo.

Já aqueles que são acometidos pelo Calicivirus felino podem desenvolver a calicivirose. Os sintomas são muito similares aos da rinotraqueite, somado a uma apresentação articular (alguns gatos apresentam a famosa dor nas juntas) e feridas na cavidade oral. O tratamento também se assemelha ao da rinotraqueite. Surgiu nos últimos anos, nos EUA, uma nova variação do Calicivirus, que gera sintomas graves, com alta mortalidade. No caso da calicivirose, não há latência do vírus, mas o animal é capaz de manter o vírus em suas amigdalas por anos e anos, funcionando como um carreador e sendo fonte de infecção para outros animais.

Já a Chlamydophila gera principalmente sintomas oculares, grandes conjuntivites.

As três doenças do Complexo Respiratório Felino podem vir isoladas ou combinadas. Em grande parte das vezes, elas vêm em combo.

Ai vc se pergunta: mas não tem vacina para isso? Sim! A vacina geralmente dada nos nossos bigodudos abrange essas 3 doenças, porém por se tratar de vírus com grandes capacidades de mutação (assim como o vírus da gripe nos humanos) as vacinas não são capazes de prevenir 100% a doença. Porém, apesar de elas não evitarem que o animal contraia a doença, a vacina funciona como um grande atenuador de sintomas. Isso significa que se o seu gato é vacinado e contrair a doença, os sinais que ele apresentar serão minimizados.