Ford: Trabalhadores da fábrica de Taubaté aprovam audiência na Alesp

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Montadora direciona documento aos funcionários, falando sobre negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos

Os trabalhadores da Ford Taubaté aprovaram a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo. A decisão foi tomada durante assembleia realizada em frente a Câmara Municipal na última quarta-feira (13).

Essa audiência será realizada no dia 20 de janeiro, às 10h. Por conta das restrições da pandemia, a reunião será virtual, com transmissão pela TV Alesp. De acordo com o deputado estadual Toninho Barba (PT), a intenção é buscar um envolvimento maior do governo do Estado. “A audiência é mais um instrumento de luta para debater a gravidade da ação da Ford”, explicou o político.

O presidente da CUT Brasil, Sérgio Nobre, presente ao ato, disse que as centrais irão articular reuniões com os três governadores dos estados onde a Ford está instalada: São Paulo, Bahia e Ceará. “Toda pressão é necessária neste momento. O país está se desindustrializando porque o governo está incentivando a desindustrialização”, afirmou.

A Ford direcionou também na última quarta-feira, um documento aos funcionários da fábrica localizada no Vale do Paraíba, informando que vai negociar com o Sindicato dos Metalúrgicos sobre as demissões, a partir da próxima segunda-feira (18).

No comunicado enviado, a montadora ainda informa que os trabalhadores serão convocados a partir da próxima segunda-feira, para produzir peças para o mercado de pós-venda, e reafirmou que o adiantamento salarial do dia 15 será pago normalmente.

Trabalhadores lamentam situação
O anúncio do encerramento da produção de veículos da Ford no Brasil e do consequente fechamento de fábricas da montadora, deixou funcionários perplexos e surpresos.

Depois de 17 anos de trabalho na fábrica, o metalúrgico Robson Baroni confessa que foi desolador receber a notícia de fechamento da montadora no Brasil. “O primeiro pensamento é a família, os filhos pequenos que tenho. Com um cenário de desemprego hoje no Brasil, parece sem futuro. A gente não sabe o que fazer agora”, declarou Robson.

Já Neilor de Oliveira, que está há 30 anos na unidade em Taubaté, afirmou ter sentido um “baque muito grande”. “O fechamento das plantas da Ford no Brasil vai piorar muito o atual cenário econômico do país. Acredito que a luta será árdua para preservar os empregos e reverter essa situação”.

Entenda a situação
No início da semana, a Ford anunciou que encerrará a produção de veículos em suas fábricas no Brasil após um século no país. Além de Taubaté, a montadora mantinha fábricas em Camaçari (BA) e Horizonte (CE) – nesta última para jipes da marca Troller.

Apesar do fechamento, a empresa seguirá comercializando produtos no Brasil, mas com importações vindas da Argentina e do Uruguai, além de manutenção e garantia para os clientes.

No comunicado, a montadora norte-americana afirma que a “persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas” resultam em anos de perdas significativas, agravados pela pandemia da Covid-19.

Ao todo, a Ford possui mais de 6 mil funcionários no Brasil. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, somente em Taubaté serão demitidos 830 funcionários.

Na última terça-feira (12), a Prefeitura de Taubaté se reuniu com o Governo do Estado de São Paulo e com o Sindicato dos Metalúrgicos, para tratar sobre o encerramento das atividades da Ford na cidade. Entre as possibilidades levantadas, estão a qualificação dos demitidos e a tentativa de negociação com a montadora sobre os termos das demissões.

Fonte: Guia Taubaté