Gestante foi dopada e morta com facada no pescoço antes de parto

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O delegado de Paraibuna, Raian Braga de Araujo, revelou, durante uma coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (17), os detalhes do crime que matou a gestante Leila Santos, de 39 anos.
Entre os novos fatos colhidos durante a oitiva com os acusados presos nesta terça, está o de que Nicolas Lopes, preso no último final de semana, teria pesquisado na internet como se fazia um parto antes de tirar a criança da barriga da vítima.

A entrevista foi realizada após a Polícia Civil colher os depoimentos de Noel Felipe Pereira Medeiros, de 18 anos, e Mara Rubia Barbosa, de 39, que foram detidos após serem considerados suspeitos na participação do crime.
Segundo o delegado, a dupla confessou que esteve no local dos fatos, porém não confirmou a autoria do crime. Mara Rubia disse que teria participado do crime porque foi ameaçada por Maria Terezinha Generoso Rodrigues e Nicolas Lopes. O casal foi preso no último final de semana em Duque de Caxias (RJ).
“A Mara Rubia tem oito filhos e ela disse que o casal estava ameaçando dizendo que iria atrás dos filhos dela caso ela não participasse do crime ou comunicasse a polícia. Já o Noel Felipe disse que participou pela amizade que tinha com o casal”, disse Araújo.

Morte

Ainda de acordo com o delegado, Leila foi morta após desentendimentos com o casal que começou a regular o fornecimento de drogas à ela. “Ao que tudo indica a ela estaria desistindo de doar a criança para o casal depois da gravidez. Principalmente porque o casal estaria regulando o uso de drogas dela. Eles queriam, inclusive, que ela ficasse internada na casa do primo da Mara Rúbia, que fica próximo do local do crime”, revelou o delegado.

Leila foi morta na noite de 28 de junho com uma facada no pescoço próximo do local onde o corpo seria encontrado no dia 4 de julho, na represa de Paraibuna. A vítima teria sido sedada com aproximadamente 40 comprimidos de calmante antes de ser levada para o local do crime. “Sem dúvidas o crime foi premeditado, principalmente porque eles compraram álcool que eles compraram em um posto para jogar no corpo da vítima e dentro do carro também havia navalha e luvas cirúrgicas. Em depoimento, a Mara Rúbia disse que o Nicolas pesquisou pela internet como se fazia um parto”, afirmou o delegado.

Próximo passo

Com os acusados pelo crime detidos temporariamente por 30 dias, o próximo passo da Polícia Civil na investigação será a reconstituição do caso, já que os depoimentos têm pontos conflitantes. A reconstituição ainda não tem data para acontecer.

Entenda o caso

4 de julho-  quarta-feira

14h – Polícia Militar recebe a ligação de funcionários da balsa da represa de Paraibuna avisando ter encontrado um corpo.

15h – A equipe policial chega ao local e identifica o corpo sendo de uma mulher negra de aproximadamente 30 anos. A vítima vestia roupas comuns e estava com o corpo e rosto queimados. Ao lado do corpo foram encontrados um cordão umbilical e uma placenta.

16h – Equipe de investigação criminal chega ao local do crime. Provas foram recolhidas e é constatado que a vítima estava com a barriga dilacerada e teria passado por uma cesariana no local. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Jacareí e identificado como Leila dos Santos, 30 anos, sem residência fixa.

5 de julho – quinta-feira

10h – Durante a investigação do caso, funcionários do cartório de registro civil entram em contato com a Polícia Militar e informam que uma mulher havia tentado registrar um recém-nascido sem documentação. A PM foi informada que a criança teria nascido em uma casa na zona rural da cidade próximo à Salesópolis, a 47 km de distância do centro de Paraibuna. No local nenhum vizinho reconheceu os suspeitos pelas imagens fornecidas pela polícia.

11 de julho – quarta-feira

15h – Polícia Civil decreta a prisão preventiva da suposta mãe e do homem que a acompanhou ao cartório. A dupla está foragida e permanece sendo procurada pela policia.

12 de julho – quinta-feira

Família reconhece o corpo da vítima e polícia procura por suspeitos.

13 de julho – sexta-feira

11h30 – Corpo da vítima é sepultado no Cemitério Colônia Paraíso no Jardim Morumbi em São José dos Campos.


14 de julho – sábado 

7h – Bebê de gestante morta em Paraibuna é localizado no Rio. Os suspeitos Maria Terezinha Generoso Rodrigues Vieira e Nicolas Lopes são presos.

20h – Casal é trazido de Duque de Caxias (RJ) pela Polícia Civil de Paraibuna para a região. A mulher ficará presa em Santa Branca e o homem, em Jacareí. O bebê permanecerá internado no Rio por um período de dez dias.


15 de julho – domingo

A Polícia Civil identifica pelo menos mais dois suspeitos de envolvimento na morte da gestante Leila dos Santos. Nicolas presta depoimento ao delegado Raian Braga de Araújo por cerca de cinco horas.

16 de julho – segunda-feira 

Agendado depoimento de Maria Terezinha, com a presença de um advogado de defesa.

Fonte: Meon