Sem aval do Estado, Felicio mantém decreto de flexibilização e pede nova classificação

0
3741

Na região, após recuo de Taubaté, Felicio começa a ficar isolado na sustentação da flexibilização via decreto

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), disse em vídeo postado nas redes sociais nesta terça-feira (28) que manterá o decreto permitindo a abertura de bares, restaurantes e similares, salões de beleza e academias na cidade.

Mesmo sem o aval do Estado, o documento antecipa no município a fase amarela do Plano São Paulo, embora o Vale do Paraíba tenha sido mantido na fase laranja até 7 de agosto, quando sairá nova classificação.

Felicio participou, ao lado de quatro prefeitos da região, de reunião com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, e com membros do Comitê da Saúde do Estado nesta terça-feira.

O grupo pediu análise dos dados da região desta semana e uma classificação extraordinária na próxima sexta (31). Com isso, o Vale poderia entrar na fase amarela já na segunda, ampliando a flexibilização.

“Encontramos falhas na apuração dos números e foi reconhecido pelo Estado, o que nos levou na última avaliação à fase laranja. Se necessário, vamos mostrar todos os dados à Justiça para mostrar que estamos na fase amarela”, disse Felicio.

“Teremos nova avaliação na sexta e podemos ir para a fase amarela. O decreto está valendo. Se ficarmos na fase laranja na sexta, iremos nos adaptar e regredir. Nossa divergência foi com a última avaliação. Decreto mantido até sexta e na sexta haverá a classificação”, afirmou o prefeito.

Em nota, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional recomenda que a região e o município permaneçam na fase laranja até 7 de agosto.

“A orientação é que a região mantenha-se na fase laranja até a próxima reclassificação, a ser apresentada no dia 7 de agosto.”

A despeito da orientação, Felicio garantiu que o decreto será mantido na cidade.

“Quando formos oficialmente notificados, iremos encaminhar os dados à Justiça. Quem cumpre o decreto está de acordo com a lei vigente.”

Com a alta de casos confirmados e mortes por Covid-19 na cidade –6.424 diagnósticos positivos e 192 óbitos–, o prefeito de São José pregou cautela: “Ninguém é obrigado a ir a academias, bares, salões e restaurantes. Vá só se sentir seguro e cobre dos estabelecimentos que cumpram as regras”.

RECUO

A Prefeitura de Taubaté anunciou que irá adiar a reabertura de salões de beleza, barbearias, academias, bares, restaurantes e similares, que estava prevista para essa quarta-feira (29).

O recuo, segundo o governo Ortiz Junior (PSDB), ocorre devido ao aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) nos últimos dias, acima de 60%, que é o valor permitido pelo Plano São Paulo para o avanço da fase laranja para a fase amarela.

Com isso, Felicio começa a ficar isolado na sustentação da flexibilização via decreto municipal, mesmo com a cidade com 76,3% de ocupação de leito de UTI.

A ‘rebelião’ dos prefeitos contra o Plano São Paulo fica esvaziada com a debandada de Taubaté e Jacareí, além dos principais municípios do Vale Histórico, e o isolamento de São José, que mantém o decreto.

Cidades do Litoral Norte, como São Sebastião e Ilhabela, já haviam avançado à fase amarela sem o aval do Estado antes do anuncio dos prefeitos, na última sexta.

Em São Sebastião, o prefeito Felipe Augusto (PSDB) emitiu um decreto em 15 de julho permitindo a reabertura de bares, restaurantes e similares, além de salões de beleza e academias.

Em Ubatuba, mesmo sem decreto, o prefeito Délcio Sato (PSD) admitiu que “alguns segmentos dessa faixa amarela estão abertos, como restaurantes”.

Segundo ele, a discussão é regional para levar “todo o Vale à fase amarela”.

Fonte: O VALE / Foto: Charles de Moura/PMSJC