Setores de construção civil e comércio puxam desemprego em Taubaté

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Os problemas ligados à economia brasileira trazem como reflexo quase que imediato o fechamento de vagas de emprego. Em Taubaté, não é diferente. Apesar dos resultados positivos nos quatro primeiros meses de 2018, o saldo dos últimos 12 meses aponta para queda de postos de trabalho na região. Setores como o da construção civil e do comércio são os principais afetados pela crise no município. Um espelho da realidade enfrentada no estado de São Paulo.
Segundo dados apresentados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, o estado de São Paulo apresentou uma redução de 0,82% nas vagas do comércio nos primeiros quatro meses do ano. Em Taubaté, a queda no setor foi mais significativa: 2,29%. Ao todo, foram 2.597 demissões e 2.220 novos postos de trabalho abertos, um saldo de 377 vagas fechadas.
Tabela desemprego CAGED
André Bargo, de 48 anos, é dono da papelaria Campello, no centro da cidade. Ele conta que precisou demitir um funcionário no ano passado. Apesar da aproximação de períodos que costumam aquecer a economia, como a Copa do Mundo e o Dia dos Namorados, o comerciante afirma que contratar mais funcionários está fora dos planos. “Na verdade, talvez, eu precise demitir mais, porque essa greve dos caminhoneiros causou um prejuízo muito grande e isso gera mais desconfiança. Por isso, eu não vejo um futuro muito promissor”, relatou o empresário
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté (Sincovat), Dan Guinsburg, comenta que o último ano foi de mais demissões que contratações. Informação que é comprovada pelos dados do Caged, que apontam que de maio de 2017 a abril deste ano, foram registradas 6.865 demissões contra 6.806 vagas abertas. Um saldo de 59 vagas a menos, com uma variação negativa de 0,37%.
Dan ressalta ainda que a queda dos postos de trabalho formais são comuns no primeiro quadrimestre do ano, pelo fator conhecido como sazonalidade. “É preocupante, sem dúvida. O que a gente tem é o comerciante, empresário não se sente muito confortável ainda para investir no seu negócio. Ele demitiu, cortou na carne. Quem tinha dez está com cinco, quatro funcionários”, explicou o presidente do Sincovat.

O setor de construção civil também sofreu impactos negativos e em diferentes níveis. No período entre maio de 2017 e abril deste ano, o segmento no estado de São Paulo teve uma variação negativa no número de empregos de 3,6%. Em Taubaté, o número foi ainda maior. No mesmo período, as vagas no setor diminuíram 21,87%. Na visão do economista e professor da PUC de São Paulo Antônio Carlos Alves, isso é reflexo da pouca demanda que atingiu o setor nos últimos anos.

“A primeira coisa que temos que lembrar é que o setor da construção civil é muito importante na geração de empregos. E a produção civil depende de encomendas por parte do setor público e do setor privado. Então, para a gente analisar a situação das empresas de construção civil em São Paulo, não só em São Paulo como no Brasil todo, em partes pelas investigações e escândalos da Lava Jato, elas não são muito boas. Grandes empresas da área de construção civil estão em situação delicada e, naturalmente, isso impacta nos investimentos da área”, contextualizou o economista.

Taubaté é só um, dos 39 municípios que fazem parte da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, que tem sofrido com o desemprego. E não são apenas os trabalhadores da microrregião que se preocupam com essa situação. Por ser uma área que tem participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) paulista (5,29%), candidatos à presidência da República também já começaram a discutir a questão do desemprego.

Ciro Gomes, pré-candidato pelo PDT, chegou a se pronunciar sobre situação específica do Vale do Paraíba. Segundo ele, é indispensável que o estado e os municípios estimulem a economia local o que, consequentemente, deve resultar na geração de emprego. “E o que nós temos assistindo, um dia sim, outro também, um processo absolutamente generalizado de destruição de postos de trabalho, mais de 3.500 com carteira assinada só no ano passado, oficialmente foram anotados: São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Pinda amargaram absolutamente resultados críticos na história da propaganda do governo, de que nós estamos saindo da recessão. Temos que diminuir os impostos sobre os trabalhadores, que pagam uma carga tributária absolutamente selvagem, sem nem saber, porque é incidente indiretamente sob o consumo, que é mais fácil, e mais injusto e mais perverso”, argumentou o candidato do PDT.

A pré-candidata pela REDE, Marina Silva, expôs como o problema pode ser resolvido ou, ao menos, amenizado. “E, obviamente, que resolver os problemas é fazer aquilo que está em estado, digamos assim, de bastante visibilidade e aqueles que, na maioria das vezes, não são tão tratados assim, como por exemplo, fazer um esforço para recuperar a credibilidade para poder o país ter investimentos e podermos retomar um tema que é fundamental para a população, que é a questão do desemprego”, analisou Marina Silva.

Segundo os dados do Caged, o saldo geral de maio do ano passado a abril de 2018 é negativo em Taubaté: foram fechadas 460 vagas levando em conta os oito setores analisados pelo Ministério do Trabalho. O saldo é a diferença entre as 27.363 contratações e 27.823 demissões, uma variação negativa de 0,63%. Vale lembrar que esses dados se referem somente aos trabalhadores de empregos formais, com carteira assinada.

Fonte: Diário de Taubaté e Região